segunda-feira, 20 de abril de 2015

Chegou a hora de voltar ao trabalho, e agora?


Uma das maiores preocupações de uma mãe que trabalha fora é a volta ao trabalho depois de encerrada a licença maternidade. É difícil confiar em outra pessoa a cuidar dos nossos filhos. Viver esse momento é viver um turbilhão de sentimentos...e hora de tomar uma decisão.
Tem mães que acabam optando em ficar mais tempo com o filho, claro isso após fazer inúmeras avaliações sobre sua vida, sua rotina e também seus recursos financeiros (nem todas podem né?), dando um tempo na carreira. Não é uma decisão fácil. Não é uma decisão pra todas.
Outras mães precisam e/ou querem voltar ao trabalho, mesmo sofrendo em deixar os filhos sob os cuidados de outra pessoa. Outra decisão difícil.
Vou contar um pouquinho de como foi esse retorno pra mim. Eu tive a sorte de ter a ajuda da minha mãe nos cuidados com a Manu. Voltei ao trabalho após 4 meses, mas na época tinha horários diferenciados que ajudaram no processo. Sob os cuidados da vó, tudo fica bem mais fácil. Me sentia tranquila em relação a isso, mas também sentia muita saudade e tinha consciência que acabava perdendo momentos delícias como a hora do banho, da papinha, de algumas mamadas...e sim, sofria com a separação!
Já com o Davi foi um pouco diferente. Tive a oportunidade de poder ficar com ele até o seu primeiro aniversário, pois estava em licença do trabalho. Claro que isso foi uma decisão minha e, como falei antes, tive que enumerar os prós e os contras para poder decidir. E quando chegou a hora de retornar ao trabalho, optei por matriculá-lo numa escola de educação infantil. Prefiro as escolas às babás em casa. Como pedagoga, professora e mãe acho super importante a convivência com outras crianças da mesma idade, além do aprendizado por meio do lúdico que as escolas oferecem. O período de adaptação do Davi não foi tranquila, situação que me deixava bastante frustada e preocupada, mas isso eu conto para vocês num outro post, ok?
A mistura de sentimentos que uma mãe sente ao fazer uma decisão dessas é gigante. Eu sei, exageramos mesmo quando falamos dos filhos, quando queremos sempre o melhor  para ele. Passamos quatro ou seis meses (dependendo da licença) literalmente grudadas nesse pequeno ser, quase não saímos e se o fazemos é tudo muito rápido, nossa vida muda completamente, deixamos de fazer coisas e passamos a fazer tantas outras que nem imaginávamos que conseguiríamos. É tanta novidade, tanta emoção envolvida, são tantas descobertas...e de repente, assim, rapidamente, está na hora de retomar a carreira e aprender a conviver com a dor dessa separação temporária. Sentimos medo, insegurança, preocupação, dúvidas, saudade...ah quanta saudade do nosso pedacinho! 
Entre todos esses sentimentos tem um que, ao meu ver, quase nos enlouquece: a culpa. Culpa de não podermos ficar o tempo inteiro com ele, tão pequenino, ter que ser cuidado por outra pessoa que não seja exclusivamente a mãe; culpa em não poder amamentar sempre que ele quiser; culpa por não estar lá para suprir todas as suas necessidades; culpa por não demonstrar nosso amor nas 24 horas do dia (aqui descontamos as horas que estamos longe); culpa de não ser nos nossos braços que ele adormecerá em pelo menos duas vezes no dia; e principalmente culpa por também querer retomar nossa vida profissional, por querer ver gente, conversar com pessoas outros assuntos, culpa por querer ter outras atividades, culpa por querer ficar um pouquinho só...culpa dobrada, por motivos diferentes, mas que permeiam nosso pensamento. Nos doamos tanto a eles que esquecemos de nós, e sim, somos mães, mas também somos profissionais, somos mulheres e não somos perfeitas!
Nós sofremos de qualquer jeito. Mas não sofremos sozinhas. Você não estará sozinha. Pense, reflita sobre suas reais necessidades e decida. Sua decisão será acertada. Converse com seu filhote, conte que por necessidade vocês ficarão separados por algumas horas (caso seja essa sua opção), mas que você voltará para buscá-lo e cobri-lo de carinho e beijinhos. Converse com uma amiga que já tenha vivido essa expriência, com o marido sobre suas angústias, divida sua dor. E não se culpe, se é que isso é possível, pois é um bem necessário e haverá uma adaptação dessa nova fase. É só o começo de tantas outras que virão. 
Ah, só para vocês saberem, até hoje quando eu acho que preciso e peço um tempo sozinha e finalmente consigo esse tempo, fico meia sem saber o que fazer, sentindo falta do meu casalzinho...(ele com quase dois e ela com oito anos), com saudades mesmo...coisas de mãe...mãe (acho q a maioria) sempre sente falta e assim sempre será...bem vinda ao clube amiga!

Beijos,

Tati

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