quarta-feira, 20 de maio de 2015

Então, de repente descobri que meu sangue estava reagindo contra o sangue do Davi...eis a incompatibilidade sanguínea!


Foi num exame de rotina já no final da gestação, o coombs indireto, que toda mãe que sabe que é Rh negativo e o pai Rh positivo deve fazer regularmente, que descobri essa reação. Fiquei estarrecida quando minha obstetra me deu a notícia, sem saber o que pensar, o que fazer.

Como meu corpo poderia estar reagindo desse jeito? Como eu e meu bebê poderíamos ter alguma incompatibilidade, mesmo que sanguínea? Como meu corpo poderia considerar meu bebê um intruso?

O agente Rh é uma proteína sanguínea que pode ou não estar presente no sangue. Quando não está, diz-se que a pessoa possui Rh - (negativo). A mãe com Rh negativo pode desenvolver anticorpos que enxergam o seu bebê (que possui o Rh positivo) como um corpo estranho, um intruso e começa a combatê-lo. Esses anticorpos são produzidos a partir do momento que o sangue da mãe passa a ter contato com o sangue do bebê. A incompatibilidade sanguínea entre o Rh negativo da mãe e o Rh positivo do bebê pode causar uma doença hemolítica chamada eritroblastose fetal.


Sempre soube que era Rh negativo.  E na minha primeira gravidez, todos os exames de coombs indireto que realizei deram resultado negativo. Em geral, mesmo que o primeiro filho seja Rh positivo, não há o combate das células porque a mãe não foi sensibilizada pelos anticorpos anti-Rh. Após o parto, fiz a vacina de gamaglobulina anti-Rh, recomendada para que na segunda gravidez o feto não desenvolva a eritroblastose fetal. Atenção! Toda grávida que possua o fator Rh negativo deve fazer essa vacina após as primeiras 72 horas do nascimento do primeiro filho.

Mesmo assim, entrei em pânico! Chorei dias seguidos, tentando evitar pensamentos negativos. Sabia que meu filho podia nascer antes do tempo, ficava tentando entender porque a vacina não teve efeito, imaginando se ele teria que ficar na UTI... entre os sintomas que ele poderia vir a ter, estavam a icterícia (que já era dada como certa) e a anemia. Em casos mais graves, poderia haver a necessidade de uma transfusão de sangue.

Através de exames a cada dois dias, fomos monitorando se a incompatibilidade sanguínea aumentava. Houve um aumento muito pequeno comparado ao primeiro teste reagente e assim se manteve. Por prevenção, tive que antecipar a chegada do Davi. A emoção e muito nervosismo tomaram conta de mim nesse dia. Não saberia o que enfrentaria a seguir, minha médica me avisou que era muito provável que ele ficasse na UTI.

Rezei muito nos dias que antecederam o nascimento dele. E então, recebi a notícia que eu mais queria ouvir. Meu guri nasceu saudável e lindo! Mas após o parto ele não ficou comigo na sala de recuperação, igual aos bebês das outras mães. E novamente a preocupação e o nervosismo invadiram meu ser. Ele estava em observação, apenas em observação, mas qual coração de mãe não clama pelo filho nessa hora?
Fui para o quarto e ele foi também. Graças a Deus, pensei! Estava bem, com o penteado "moicano" que o papai pediu pra fazer...lindo, lindo, sem nenhuma complicação, sem cor amarelada. Não precisou de luzes, nem de incubadora, só precisava do amor, do alimento, do aconchego dos meus braços e assim tem sido até agora. 

A palavra incompatibilidade acho que não vai mais existir para nós dois. Somos hoje quase um! Dois corpos diferentes totalmente conectados.

Abraço,

Tati




Fonte: www.drauziovarella.com.br

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