segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Seletividade Alimentar: meu filho não come!

A seletividade alimentar é também chamada de anorexia seletiva. Considera-se seletiva a criança que apresenta a tríade: recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento, ou seja, a criança passa a desgostar da alimentação, sendo os alimentos mais rejeitados as verduras, os legumes e as frutas. A seletividade geralmente se inicia com a introdução dos novos alimentos, entre os 8 – 10 meses de idade e, na introdução de papas salgadas, aos 6 meses de idade. Isto ocorre devido à oposição da criança em consumir novos alimentos à primeira oferta (neofobia), podendo ser apenas temporária, correspondendo à adaptação a nova rotina alimentar ou uma reação frente a pequenas infecções constituindo um fato comum, típico do desenvolvimento normal da criança.
Mas quais as possíveis causas da seletividade alimentar (SA)? O que será que pode ocasionar a famosa expressão “meu filho não come”? 
Eis alguns fatores:
✅ Crianças que recebem fórmula apresentam maior seletividade:
Tal fato ocorre, pois elas se adaptam ao sabor da fórmula, que diferente do leite materno (LM), não muda, sendo o mesmo sabor sempre, o que faz com que a criança não aceite com facilidade novos sabores. Já as que recebem LM reconhecem no leite os vários sabores ingeridos pela mãe, tendo o leite sempre gostos diferentes.
✅ Atraso na alimentação complementar:
Crianças que apresentam atraso na introdução alimentar durante o primeiro ano tem maiores chances de ser seletiva ao longo da infância, sendo mais claramente identificados por volta dos sete anos de idade.
✅ Numero de exposição ao novo alimento:
A quantidade de vezes que o alimento é ofertado determina diretamente se a criança irá aceitar ou não o novo alimento, sendo importante alternar as formas de apresentação, preparação e textura deste alimento (por exemplo, pode ofertar a fruta in natura, na forma de sucos, sorvetes caseiros, entre outros). 

 ✅Alimentos de uma mesma tonalidade:
Geralmente a SA está associada ao consumo de alimentos de uma mesma cor (por exemplo, o branco) e de sabor suave (por exemplo, leite, pão, macarrão, etc.) ou determinada textura (pastoso ou crocante), rejeitando alimentos com outras texturas. Em alguns casos é possível notar preferencia por marcas de alimentos ou até mesmo determinada temperatura que estes são servidos (frios ou quentes). Algumas crianças não toleram o odor de outros alimentos.
✅Alimentos com molho:
Algumas crianças não aceitam alimentos com molho ou que são fáceis de sujar. Neste caso, pode está associado a mães com “mania de limpeza” ou que não permitiram ao filho usar as mãos para alimentar-se.
✅Apetite durante as refeições:
Em alguns casos, a criança rejeita o alimento simplesmente por não estar com fome no momento das refeições.
✅Ansiedade dos familiares:
Geralmente, pais com filhos seletivos tendem a substituir alimentos saudáveis (frutas, legumes, verduras) por alimentos de baixo valor nutritivo (por exemplo, os doces), os quais normalmente fazem parte da preferencia alimentar da criança. Além disso, alguns pais recorrem à recompensa, prometendo algo a criança se em troca ele comer o novo alimento e; a punição, forçando a criança a comer o alimento solicitado.
  
E como podemos reverter a frase "meu filho não come" para "meu filho come"?
  • Ofertar o alimento mais de uma vez
  • Sempre que a criança recusar o alimento, não desista. A aceitação depende da paciência e persistência dos pais.
  • Crianças participativas: Crianças que participam da criação dos pratos acompanhadas do adulto tem maior chance de aceitar o alimento.
  • Comer sem distrações: na hora das refeições não ligar a tv, celulares, computadores, tablets e afins. Distrações fazem a criança não aceitar os alimentos.
  • Refeições partilhadas: na hora das refeições, reunir a família a mesa faz a criança querer comer o novo alimento.
  • Dê o exemplo: a alimentação infantil é um reflexo da alimentação dos pais. Pais seletivos não tem êxito na hora de ofertar os alimentos, pois se a criança recusa eles entendem e ofertam outras coisas.
  • Não oferecer recompensas ou punições: caso a criança não aceite o alimento naquele momento, espere ela sentir fome e oferte o alimento novamente. Assim ela comerá. Muitas vezes as crianças não aceitam pois não estão com fome naquele momento. Recompensas e punições fazem a criança associar o novo alimento a uma memória boa ou ruim dificultando sua aceitação no futuro (esperando sempre algo em troca ou comendo por obrigação e lembrando que tal alimento estava associado a algo ruim, não querendo comer no futuro). 
  • Apresentar o alimento de diferentes formas: use a criatividade. Faça carinhas, paisagens. Liberte a imaginação, quanto mais diferente a apresentação maior a chance da criança aceitar as frutas e vegetais (nas imagens a baixo mostra algumas apresentações).


E o mais importante, não desistir nunca! Pois os hábitos saudáveis dos nossos filhos dependem muito do que oferecemos à eles, das escolhas que fazemos para nossa família.

Fonte:  Papo de Nutris
 



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