segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Adeus bico!

Nunca tive problemas em oferecer o bico, pelo contrário, sempre o vi como um aliado, principalmente para os momentos difíceis. E funciona, ele acalma mesmo. Mesmo assim, também não queria que meus filhos chupassem por muito tempo, por isso me preocupava em tirá-lo numa hora que fosse mais apropriada, tarefa essa que não é muito fácil. É preciso ter sensibilidade, observar muito o momento deles e ao fazer a tentativa, ser firme!

A Manu e o Davi sempre chuparam bico e gostavam muito, então sabia que não seria fácil a sua retirada. Na verdade, ficava fazendo aquele pensamento positivo de que eles largariam por conta própria mesmo (mantras de mãe!), que um belo dia o jogariam fora e pronto! Quanta ingenuidade! Por que eles fariam isso, se o objeto trazia prazer e acalento para eles?
Passei por dois momentos distintos e vou contar como foi o "tchau ao bico" com os dois.

Embora a Manu gostasse muito de chupar o bico, não tinha essa necessidade durante o dia. Desde pequeninha, ela preferia chupar à noite, para dormir; e logo que entrou na escolinha, com 1 ano e 8 meses, tiramos ele definitivamente durante o dia. No início até mandava junto para a escola, escondidinho dentro da mochila, caso houvesse alguma necessidade maior, mas nunca houve. Ela ainda foi um tempo chupando à noite... e sempre que eu falava em deixar, ela dizia que não queria e chorava. Pensando que "cada criança tem seu tempo"(mais um mantra de mãe!) fui adiando. Até que um dia resolvi que colocaria em prática a retirada. Fui conversando com ela e explicando que ela já estava grandinha (tinha uns 2 anos e meio) e que estava na hora de deixar o bico. Sugeri para que fizéssemos uma troca com o Papai Noel, que daríamos o bico no dia do Natal e ele deixaria um presente escolhido por ela. Fui conversando bastante tempo antes e a  preparando para a despedida. Na véspera do natal, colocamos o bico no pinheirinho (ela não quis entregar direto para ele e acho que o sofrimento seria maior mesmo porque ela teria que se desfazer dele na hora, presenciar tudo) e antes que ela dormisse fizemos a "troca". O bico não estava mais lá, mas o presente sim! Sabia da dificuldade que ela poderia vir a ter para dormir, então resolvemos não deixar a troca para o outro dia.  Ela ficou muito feliz com o presente, mas também surpresa. Na hora de ir para a cama, ela não dormia por nada, rolava de um lado para outro e chorava muito pedindo o bico de volta. Conversei muito, disse que não podia, que ela já havia feito a troca e nada de convencer. O choro aumentava e com ele vinham gritos de desespero. Sem saber mais o que fazer para acalmá-la, o marido acabou devolvendo o bico para ela, claro que mediante uma explicação (falou que Papai Noel havia topado em deixar mais pouquinho com ela) e a pequena dormiu no mesmo momento, entre lágrimas e sorrisos. Gente, foi demais mesmo! Que pais aguentam ver os filhos chorarem desesperadamente? Foi então que percebi que ela não estava preparada para essa despedida, não era a hora dela. Talvez eu e o marido devessemos ter sido mais firme, mas realmente não foi possível... tentamos, já era bem tarde, ela chorava há muito tempo e não dava mais para ver a tristeza naqueles olhinhos.
Adiei a retirada e deixei passar o tempo. Com a chegada da Páscoa, resolvi que iria apelar para o coelhinho (coitados desses seres, eu sei, mas tinha esperança nele), e comecei tudo novamente: preparação, conversas, expliquei que o prazo do Papai Noel estava acabando e que estava chegando a hora de deixar o bico. Na véspera da Páscoa, preparamos cenouras para deixar para o coelhinho e ao lado o bico. Ela deu tchau e foi dormir...sem ele! Na manhã seguinte acordou feliz e foi correndo procurar sua cesta e ovos que o danado do coelho escondeu pela casa. Tudo certo dessa vez! Ela havia amadurecido a ideia, precisava de mais tempo para se preparar e quando chegou o momento, foi tranquilo. Ufa!! Um salve para o Coelhinho da Páscoa!!

Com o Davi foi tudo diferente! Ele sempre foi muito mais apegado ao bico que a Manu e como eu já tinha a experiência com ela, achei que seria muito mais difícil convencer ele a deixar o bico. Davi chupou o bico desde a maternidade, dia e noite. Nas suas crises, só o bico o acalmava, por isso eu estava muito preocupada em como e quando fazer a retirada. Por ele ter esse apego todo, eu queria que ele deixasse logo o objeto. Tentei deixar chupar só a noite para dormir, mas ele passava o dia pedindo e chorava bastante. Era cansativo. Era desestimulante. E ainda estávamos entrando na época do desfralde, que já era uma novidade para ele, então resolvi esperar mais um pouco. Tudo ao mesmo tempo seria difícil, eu pensava, deixar a fralda e o bico. Toda manhã, eu guardava o bico e ia conversando com ele, dizendo que já estava grandinho, que não precisava mais chupar. Mas logo ele pedia, chorava e eu entregava. Um dia após o outro, a mesma coisa, só ia dando mais tempo para entregar o bico à ele. Davi estava com 2 anos e meio. O mesmo tempo que a mana (quando fiz a primeira tentativa). Só que muito, mas muito mais dependente do bico que ela. Não saía sem, precisava dele, parecia que o "treco" fazia parte dele. Por isso, nunca forcei nada, conversava e deixava que o tempo fizesse sua parte. Numa manhã, levei ele para fazer xixi. Sempre tirava o bico dele para que fizesse xixi, com receio de que ele caísse no vaso; mas nesse dia não fiz. E, eis que o bico caiu mesmo dentro do vaso. Ele me olha e diz "O bibi caiu, mamãe". Eu sempre tinha mais de um bico em casa, mas como já estava pensando em retirar, não havia comprado mais e aquele era o único. Olhei para ele e disse que não dava mais para chupar, que estava sujo e que não adiantava lavar, que ele teria que ir embora, assim como o xixi. Ele concordou na hora e ainda disse "ecaaaa!". Já estava pensando em ligar para o marido trazer outro, ou pensando na resposta que daria quando ele pedisse para eu sair e comprar um novo. Crianças são muito espertas, eles sabem que tem outros para vender, hehe. Mas resolvi guardar minha ansiedade no bolso e esperar. Durante o dia ele perguntou algumas vezes do bico e até pediu, mas sem chorar. Expliquei novamente e pronto. Quando ele voltava para fazer xixi, lembrava que o bico havia caído e confirmava que estava sujo. À noite fiquei tensa. Porque é para dormir que eles mais sentem falta. Claro que ele pediu, mas expliquei mais uma vez e ele dormiu. Acordou várias vezes, mas voltava a dormir. E assim foram passando os dias. Uma despedida meio inesperada que deu certo! O "tchau" ao bico foi dado! Meu guri cresceu! E, para minha surpresa, o processo do adeus foi tranquilo.

Dessa vez não foi preciso nem Papai Noel, nem Coelhinho da Páscoa, tudo aconteceu naturalmente. E a maternidade vai nos surpreendendo. Quando eu achava que seria mais complicado, foi muito mais tranquilo. 
A criança precisa estar madura e nós precisamos segurar nossa ansiedade e ficar de olho nos sinais deles. E um fator muito importante, é não relacionar a retirada do bico com alguma outra novidade, como a chegada de um irmãozinho, o desfralde ou a entrada na escolinha, que podem gerar alguma insegurança para os pequenos e eles vão querer o companheiro de chupar.

Ah, e aquele nossa mantra "cada criança tem seu tempo" é sempre uma grande verdade, portanto não esqueçam disso; a fase do bico vai passar como todas as outras...

Abraços,


Tatiane Gallas   


Gostou do post? Compartilhe!!! 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Compartilhe, comente!