quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Do Escuro ao bicho papão: Precisamos falar sobre os medos infantis


Você deu banho, a mamadeira, colocou o pijama favorito, ligou o abajur e o pequeno já vai logo avisando: Mamãe/Papai não vou dormir aqui! E começa a listar os inúmeros perigos escondidos no quarto: monstros embaixo da cama, bruxas fazendo barulho na janela, os fantasmas escondidos no escuro e por aí vai... a imaginação na hora do medo vai longe!


E agora o que fazer? Ligar a luz e mostrar que o fantasma é o reflexo no armário? Que as bruxas são só o vento lá fora ou ainda tentar explicar que monstros e os outros seres imaginários não existem? Ops, talvez essa não seja a melhor maneira de lidar com estas situações, por isso no post de hoje vamos falar sobre OS MEDOS INFANTIS!

Primeiramente, lembre-se que é natural e esperado que a criança passe pela fase dos medos, isso auxilia na construção da autoproteção, como se fosse uma “luz de alerta” que sinaliza que algo de ameaçador possa acontecer, evita que as crianças passem por perigos evidentes como subir em locais muito altos, por exemplo, seria preocupante se a criança não reconhecesse o risco de cair e se machucar.

Entre os três e cinco anos as crianças estarão naturalmente nessa fase do desabrochar dos medos: sejam eles reais ou imaginários, estes devem passar conforme o amadurecimento da criança, e cabe aos pais o papel de facilitar este processo. A primeira dica é: Subestimar o medo da criança é PROIBIDO! Lembre-se que você estará invalidando o sentimento que está sendo expresso pela criança, e isso só trará mais insegurança tendendo a piorar a situação. É necessário estar atendo nas “ameaças” que utilizamos durante o dia, será que é você que vem alimentando o bicho papão? “Se você não for tomar banho, o bicho papão vai vir lhe pegar”, então à noite o medo dele aparece e você diz que não existe?

Uma das maneiras mais eficientes na trajetória de superar os medos é conversar, sim, conversar! Assumir que é normal que as pessoas sintam medo, que inclusive você quando era pequeno sentia medo e que já  adulto ainda tem medos. Embarcar na imaginação do seu filho também é uma excelente opção. Se os monstros estão embaixo da cama, que tal vocês criarem um “spray espanta monstros”? (Um pouco de água com glitter em um borrifador darão conta do recado), um amigo guardião dos sonhos para proteger de pesadelos (o brinquedo preferido), um abajur ligado, afinal o bicho papão tem medo de luz, e por aí vai...

O importante é conseguir identificar qual a origem do medo da criança. Quando muito pequenas, por vezes as crianças não sabem nomear seus medos e apenas evitam determinadas situações, como dormir, por exemplo, apresente algumas opções “e se nós deixarmos a luz acesa?” ou “e se eu ficar aqui até você pegar no sono?” essas são maneiras simples de identificar o medo do escuro e o de ficar sozinho sem ter que perguntar isso a criança diretamente. Ler livros infantis onde os monstros são vencidos por heróis ou ainda os contos de fadas onde o mau sempre perde são ótimas estratégias para introduzir a conversa sobre os medos, convidar a criança a desenhar o medo e ajudá-la a transformar o medo em algo engraçado, também é uma ótima maneira de desconstruí-lo. O mais importante é demonstrar segurança!

Se mesmo com seu apoio e dedicação no combate aos medos as coisas ainda permanecerem difíceis, é preciso ficar atento para a necessidade de procurar um especialista para auxilia-los. A luz de alerta deve acender se a rotina da casa estiver se modificando por conta dos medos, ou se a criança está apresentando sofrimento diário, fazendo com que esteja perdendo de usufruir do contato com outras crianças, mudanças de comportamentos, dificuldade de brincar e se divertir.


Um psicólogo infantil irá auxilia-lo a lidar com a situação da melhor maneira possível, ensinando estratégias para lidar nos momentos de crises de medo e também a melhor compreender e desconstruir com a criança a origem do mesmo. Por vezes, pequenas modificações na rotina dos pequenos já dão conta para espantar para longe o bicho papão e sua turma.



Paola Ritcher, Psicóloga e Psicoterapeuta de crianças e adolescentes; 
Natana Consoli, Psicóloga e Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias. 


Ambas fazem avaliação psicológica e prestam assessoria psicológica em instituições de educação infantil.
Saiba mais: 
Facebook: E aí Psi?



3 comentários:

  1. Gostei e muito da postagem e das dicas principalmente a dica CONVERSAR com seus filhos!

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  2. Adorei! Estou passando por essa fase com Rafa do medo. De dormir sozinho, do escuro, do bicho que voa, mas não dou muita ênfase aos medos dele não. Tento mostrar que o medo está na cabecinha dele e não eh real. Beijos

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  3. Muito boas as dicas, a um tempo atrás tive q ler bastante a respeito, pois a Gi começou acordar chorando, felizmente foi só uma fase mesmo.
    bjs,
    Alê
    http://www.dafertilidadeamaternidade.com.br/

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