quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ligado no 220w? Vive no mundo da lua? Pode ser TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

LIGADO NO 220w?  VIVE NO MUNDO DA LUA?
Precisamos falar sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade


-Bom Dia, qual o motivo da procura por atendimento?
- Meu filho não para quieto, não presta atenção no que eu mando e só bagunça na escola. Acho que ele tem TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH).
- Quando foi feito o diagnóstico? Por qual profissional?
- Não, não. A professora disse que ele deve ter, eu até conferi no google e a tia dele já até disse que é com Ritalina que resolve né?

E lá vamos nós mais uma vez conversar sobre o que é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou como ficou famoso: “TDAH”. 

Diálogos como este permeiam não só nossos consultórios, mas também as escolas e acreditem: até as creches hoje em dia!

Com a ampla divulgação do transtorno, estamos vivendo o BUUUM do diagnóstico, muitas vezes feitos por profissionais não habilitados ou ainda pela amiga, tio, vizinho e por ai vai...

Nosso post de hoje vem então com o intuito de auxilia-los a conhecer um pouquinho mais sobre o transtorno, assim como seu tratamento e como os pais podem auxiliar os pequenos a “conviver” com o TDAH.

O primeiro ponto que gostaríamos de desconstruir é que o TDAH  não é resultado de falta de disciplina ou de pulso firme dos pais, assim como não é  má vontade ou birra da criança/adolescente, como ERRONEAMENTE muitas vezes pais e crianças são rotulados. O TDAH se trata de um distúrbio neurobiológico, sendo a maioria das vezes diagnosticado quando a criança ingressa na escola e apresenta dificuldade de aprendizagem e/ou comportamento e relacionamento com colegas e professores. Os três principais sintomas apresentados pelas crianças são a impulsividade, agitação motora e a distração. As crianças predominantemente hiperativas, são mais facilmente diagnosticadas uma vez que acabam chamando mais atenção dos professores quando comparados àqueles que apresentam um quadro predominantemente desatento, que algumas vezes por serem mais quietinhos, tranquilos e comportados acabam “passando batido” em meio a turma.

Se por um lado  as crianças com TDAH apresentam maior dificuldade de concentração e de sustentar atenção por grandes períodos de tempo em uma mesma tarefa sem interrompe-las diversas vezes, por outro lado quando desafiadas e motivadas por situações inovadoras tem capacidade de hiperconcetração, permanecendo engajada por longos períodos sem notar o passar das horas.

São alunos em sua maioria desorganizados, com dificuldade de completar tarefas (empurrando para última hora), esquecem datas de provas, tarefas e estão sempre correndo contra o relógio. O lema de “fazer tudo da sua maneira e no seu tempo” acaba sendo o terror de pais e professores que acabam tendo dificuldade em estabelecer regras e limites.

Mas calma, com o diagnóstico correto que perpassa por uma profunda avaliação clínica, no qual se analisa o histórico da criança, quantidade e intensidade dos sintomas, fatores genéticos, etc. Este diagnóstico, na maioria das vezes, é realizado por psicólogos, neuro pediatras ou psiquiatras, e com o tratamento adequado, com psicoterapia e a maioria das vezes com o uso de medicação (normalmente indicada para crianças acima de 8 anos), as crianças/adolescentes conseguem se desenvolver normalmente. 

Os pais são parte fundamental durante o tratamento dos filhos, sendo convidados a se aprofundar sobre o transtorno e a também como manejar nas situações do dia a dia. Além dos pais, o apoio pedagógico individualizado pode ser necessário.

Falando em tratamento, gostaríamos de relembrar que o TDAH não possui cura, e sim controle, com o tratamento adequado os sintomas tendem a diminuir de intensidade com o passar dos anos, o que não significa que eles desapareceram ok? E sim, receber adultos com TDAH não diagnosticado é bastante comum nos consultórios.

Hoje é dia, contamos com diversos livros, vídeos, e inclusive cursos para pais sobre o transtorno! Reunimos algumas estratégias que podem auxiliar aos pais de crianças/adolescentes com TDAH:

- A criança não é o problema! Muito cuidado com afirmações que podem acompanhar a criança por todo seu desenvolvimento, que tal dar maior ênfase para suas qualidades? ELOGIE!

- A perfeição não existe! É natural que as crianças sejam diferentes, NÃO COMPARE seus filhos entre eles, ou com colegas, vizinhos e etc.

-Relembre! Sim, falar uma vez não será suficiente, defina regras e limites para casa e relembre a criança quando necessário. Um mural com regras, avisos, datas importantes, recados, etc costuma facilitar (e muito!)  para toda a família, falando nisso as regras valem para todos da família ok?

- Apesar de muito agitados, CUIDADO para não sobrecarregar a agenda dos pequenos! Brincar é tão importante quanto as demais aulas extracurriculares.

- A conexão escola-família é essencial, acompanhar o desenvolvimento da criança, expondo seu diagnóstico para que as estratégias pedagógicas possam ser adaptadas para melhor contemplar a criança é muito importante. Lembre-se: você só poderá cobrar resultados se ofereceu o suporte necessário para que ele seja alcançado.

-ROTINA! Mais uma vez a nossa queridinha aparecendo por aqui, se a rotina já é algo muito importante para todas as crianças, para aquelas que possuem TDAH se torna indispensável. Horários determinados ajudam a criança a se organizar em suas atividades do cotidiano, auxiliando a reduzir a agitação por não saber o que está por vir. Também é importante prepara-la para mudanças na rotina (festas, passeios, mudança de escola, etc).

-Na hora dos estudos menos é mais, procure reservar uma mesa sem muitos estímulos ao redor, determinar tempo para que as tarefas sejam concluídas e estar presente para orientar as dificuldades que possam surgir.

-Ninguém nasce sabendo! Chame atenção para os comportamentos inadequados e em seguida diga de que outra maneira a criança poderia agir para ser mais assertiva ou adequada.

- Dê aquilo de mais precioso que você pode dar ao seu filho: seu tempo! Seja para perguntar-lhe como foi seu dia ou para brincar, procure incentivar aos jogos com regras, pois além de desenvolver atenção dos pequenos introduz as noções de regras, limites e consequências (ganhar e também perder!).

-Confie nos profissionais que estão acompanhando seu filho, tire suas dúvidas, informe-se, o site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção tem material super completo e de fácil leitura.


Esperamos que o post de hoje tenha ajudado a entender um pouquinho melhor sobre o TDAH e a tirar as dúvidas de vocês!


Ficou com alguma dúvida? Tem mais alguma curiosidade? Escreve pra gente! Adoramos acompanhar os comentários de vocês!




Paola Ritcher, Psicóloga e Psicoterapeua de crianças e adolescentes; e Natana Consoli, Psicóloga e Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias.
Facebook: E aí Psi?


3 comentários:

  1. Super esclarecedora a postagem! Ainda bem que existem profissionais que podem ajudar as crianças com TDAH!

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  2. Otimo post! Muito esclarecedor!����

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  3. A dificuldade no diagnóstico de qualquer problema é sempre um problema né?! Nunca imaginei que o TDAH pode ser genético.

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