terça-feira, 18 de abril de 2017

Fora de casa eu perco a língua

“Fora de casa eu perco a língua”: 
um texto sobre as diferenças de comportamento em casa e na rua



Vocês conhecem crianças que em casa falam muito, brigam com os irmãos, fazem birra, batem o pé até conseguirem o que desejam e nos outros ambientes que circulam são o oposto? Tornam-se crianças quietas e que mal consegue se ouvir o “oi”, de tão baixinho que sai. Sentam-se ao lado dos pais e nem com todo o incentivo do mundo vão brincar com as outras! Pensou em alguém? Hoje vamos tentar entender um pouquinho o que se passa com esses pequenos.


Podemos estar falando de uma criança tímida. Uma criança tímida tem mais autonomia e se sente muito mais segura para agir e falar em um ambiente que ela já conhece bem, como sua casa ou casa dos avós, por exemplo. Já em locais estranhos e com pessoas que ela não tem vínculo, ela não tem coragem de se expressar. Nesses casos é muito importante incentivar o convívio e apoiar a criança, mas sem obrigá-la a nada. Cada um tem o seu tempo para se sentir seguro e a sua maneira de se relacionar. Se você sente que seu filho está com vontade de ir brincar, mas está com vergonha, nomeie esse sentimento a ele, diga que você em alguns momentos sente vergonha e que não tem problema algum se sentir assim. Depois, diga a ele que você vai ajudá-lo a enfrentar essa vergonha.


Use a imaginação e diga que existem vários bonequinhos na cabeça dele e que agora está na hora de chamar o bonequinho da coragem e colocar o bonequinho da vergonha para dormir. É preciso entender que isso é difícil para ele e que talvez leve mais tempo do que você deseja, por isso não desista de conversar e apoiar, demonstrando que você o entende e está com ele nessa! Outra dica legal, se a criança for mais novinha, é sugerir que eles usem mascaras de algum personagem que eles gostem, assim, não é “João” ou a “Maria” que precisam enfrentar uma situação nova, mas o “Batman” e a “Peppa”. 

Outra possibilidade que pode fazer com que a criança aja dessa forma é a insegurança que ela tem em si e a baixa autoestima. Uma criança que não sente um apego seguro em relação aos pais e que não tem a percepção de que se acontecer algo de errado, ela terá em quem se apoiar, ela tende a ter medo de participar de qualquer coisa fora de casa. Isso vai de encontro também com a baixa autoestima, uma vez que ela não se sente capaz de acertar, tende a acreditar que o seu envolvimento com as outras crianças não será bem vindo ou que ela não tem potencial suficiente para fazer coisas tão legais quantos os seus amigos. Nesse caso, é importante que os pais possam refletir se não estão exigindo demais da criança e a forma como estão aceitando o que a criança faz. Lembramos que as crianças não devem ser comparadas e que elas necessitam dos elogios dos pais sobre o que fazem. Mesmo que não esteja 100%, elogiar é motivar!

E, por último, mas importantíssimo, ensine o seu filho a conviver fora de casa. Dê limites e dê muito amor e junto com isso, ensine ele a respeitar os limites dos amigos e a se respeitar também. Costumamos dizer para as crianças o que elas devem fazer, mas temos que ensiná-las também o que elas não devem admitir que os outros façam com elas. Deixe seu filho se expressar em casa, encoraje-o, incentive-o e diga a eles inúmeras vezes que você sempre irá defendê-lo quando ele precisar. Diga a ele como ele deve agir quando os colegas fizerem algo que ele não goste e quando ele lhe contar, ajude-o a resolver.

Se o ambiente familiar for saudável, a criança sempre será mais extrovertida ali, pois ali ela se sente amada e tem intimidade suficiente para ser ela mesma. Com paciência e muita conversa, precisamos identificar porque fora de casa ela está agindo de maneira tão oposta e ajudá-la a resolver o problema, seja ele timidez, insegurança, baixa autoestima ou qualquer outra pequena coisa que possa estar travando a socialização. Vale ressaltar que deve-se sempre atentar se a criança não está sofrendo bullying e observar se a falta de iniciativa ocorre sempre com o mesmo grupo de crianças, pois a criança pode estar se sentindo mal nesse ambiente por algum motivo que você ainda não percebeu. 



Paola Ritcher, Psicóloga e Psicoterapeua de crianças e adolescentes; e Natana Consoli, Psicóloga e Psicoterapeuta de adultos, casais e famílias.
Facebook: E aí Psi?




3 comentários:

  1. Sei bem como é... Tenho 2 assim! E parece que a pre-adolescência só faz aumentar a diferença de comportamento! Haja paciência!

    Clau

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  2. É engraçado como algumas crianças mudam o comportamento quando estão na frente de estranhos. Muito bom o texto. Beijos Regina

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  3. Muito interessante, não tinha filosofado sobre isso ainda. Gostei!

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