quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Fonoaudióloga alerta sobre o uso de smartphones e tablets para crianças

É muito comum vermos as crianças concentradas brincando com tablets e smartphones e apesar de serem queridinhos pela criançada e pelos pais que querem alguns minutos de silêncio, esses aparelhos não são os presentes ideais para os pequenos, mesmo estando no topo da lista de sugestões de presentes de aniversários e outras datas comemorativas.

Segundo a fonoaudióloga especialista em linguagem e desenvolvimento infantil, Raquel Luzardo, o uso desses aparelhos pode acarretar o déficit de atenção, atrasos cognitivos e na aprendizagem. “São muitos os problemas que podem surgir com o uso indevido destas tecnologias, como obesidade, alterações no sono e até mesmo depressão e ansiedade infantil”.

De acordo com Raquel, o uso desses dispositivos não precisa ser proibido, mas seu uso deve ser sempre monitorado pelos pais e com limite de tempo. “A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso destes eletrônicos a partir dos dois anos de idade e por, no máximo, 30 minutos por dia”, comenta a especialista.

Raquel, no entanto, reconhece que a cada dia fica mais difícil diminuir o acesso das crianças às telas tão brilhantes e atrativas. “Os pequenos tendem a prestar muita atenção nas cores, movimentos e isso acaba sendo uma distração para eles. Porém, podemos tornar esse uso saudável com aplicativos educativos, que incentivam a fala, leitura, escrita e até outras línguas. O importante é que os pais acompanhem este uso”, completa.

Foto: Pixabay


Conversei com Raquel sobre o uso sobre dessas e outras tecnologias, confira as respostas de alguns questionamentos bem comuns:


1. A partir de que idade você recomenda o uso de tablets e smartphones para as crianças?

A OMS recomenda o uso a partir de 2 anos. Acredito que essa é uma boa época, mas lembrando sempre de monitorara e limitar o tempo!

2. Em que sentido o uso de tais aparelhos podem ser prejudic­iais? Você fala no at­raso de linguaguem, seria por ficar tempo sozinha?

Vejo que o principal prejuízo é a falta de interação. A cria­nça fica focada na tela, sozinha e, dessa forma não tem inte­ração com o outro o que prejudica o dese­nvolvimento da lingu­agem e a sociabilida­de.

3. Existe uma crença de que aparelhos te­cnológicos como esses poderiam ajudar as crianças no seu desen­volvimento, como por exemplo no raciocín­io lógico, isso pode ocorrer?

Pode sim! Tem muitos aplicativos bacanas que auxiliam no de­senvolvimento. É só usar com moderação! Se estabelecer um te­mpo para o uso e o adulto estiver monito­rando pode ser um bom aliado no desenvol­vimento. Agora, se deixar a criança sozi­nha com um tablet por 3 horas, pode ser o aplicativo mais pe­dagógico e educativo que existe que não vai ser legal!

4. E sobre o video-g­ame qual seria a ind­icacão de idade, tem­po, jogos e outras particularidades.

Para usar o videogame a criança precisa ter maturidade para lidar com fios, cont­roles, console, CDs/­Jogos e etc. Também é importante limitar o tempo de uso e at­entar para que os jo­gos oferecidos para a criança sejam adeq­uados a sua faixa et­ária. Cuidado com os jogos violentos dem­ais! Outro ponto imp­ortante é cuidar para que a criança não deixe de cumprir suas tarefas como lição de casa ou que façam tudo depressa, sem prestar atenção, para voltar correndo para o vid­eogame!


Para quem deseja fugir desses eletrônicos adotando uma linha mais saudável e educativa na hora de presentear, Raquel dá algumas dicas:

Presentes educativos:

Para as crianças até dois anos, ela recomenda aqueles brinquedos com diferentes cores, texturas, leves e que possam ser levadas à boca. “Móbiles, chocalhos, bichinhos de borracha e flutuantes para banhos são ótimas opções. Aqueles de montar e desmontar também são muito atrativos para os bebês com mais de um ano”, indica.

Já para aqueles na fase entre os três e seis anos, Raquel indica que os presentes de Natal estimulem a linguagem, conhecimento, coordenação motora e imaginação. “O faz de conta é um recurso muito importante no desenvolvimento infantil. Nesta idade, eles vivem personagens como príncipes, princesas, heróis e vivem estes papéis reproduzindo cenas do cotidiano e aprendendo a lidar com sentimentos e emoções”.

Entre os sete e nove anos, ser aceito pelos amigos é muito importante e o jogo corporal se evidencia nos esportes. Algumas das sugestões de Raquel são jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, livros, patinetes e bicicletas. “Os blocos de montar também são uma opção muito interessante, já que une habilidades como pensamento lógico, planejamento e coordenação motora”, explica.

Para as crianças entre nove e doze anos, na fase pré-adolescente, há a possibilidade de consulta-los sobre o que gostariam de ganhar. “É importante, porém, despertar neles o gosto por coisas que os ajudem a raciocinar, usar a criatividade. Livros, jogos e equipamentos esportivos são ótimas apostas nesses casos”, sugere a especialista.

Raquel alerta, no entanto, que a escolha dos brinquedos não deve ser baseada apenas na indicação por faixa etária. “Cada criança tem seu ritmo de desenvolvimento e características pessoais únicas que a diferencia das demais. A individualidade, interesses e gostos pessoais precisam ser respeitados”.


Sobre Raquel Luzardo

Raquel Luzardo é fonoaudióloga, especialista em linguagem e desenvolvimento infantil, diretora da Clínica FONOterapia, atua há mais de 18 anos em atendimento de crianças, orientação familiar e assessoria escolar. Casada com o Yan e mãe do Gabriel, acredita que a comunicação é a ferramenta para as relações acontecerem de forma plena e feliz!